Talvez seja uma coisa dos (quase) 45 anos. Mas ando com uma sede tremenda de fazer coisas diferentes e por vezes absolutamente bizarras no meu trabalho. Digo que é da idade – com tudo o que isso implica de receios de perda de graça, de imaginação, de relevância – mas provavelmente terá a ver também com o número de anos de serviço. Se calhar só agora está na altura de apresentar às pessoas um argumento em que uma das personagens passa 99% do filme metida num fato de dinossauro cor-de-rosa; se calhar só agora está na altura de criar uma série de instalações fotográficas centradas num boneco articulado do mais famoso futebolista português; se calhar só agora está na altura de dizer tudo o que me passa pela cabeça – quase, literalmente, tudo – num podcast com a palavra “cu” no título e que dará origem a quatro espectáculos nos Coliseus de Lisboa e Porto, em Setembro. Está tudo a acontecer, e mais vai ainda acontecer (de repente surge a possibilidade de, no ano que vem, escrever duas ou três séries de televisão – e só escrever, que é das coisas que mais felicidade me dá – e há dois argumentos para cinema escritos, Por Ela Manual de Instruções, que têm de ser feitos nem que parta a espinha).