DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

A Azul de Troia (Companhia Discográfica Portuguesa) surge de um sonho antigo, gigante e azul. Em 2914, é fundada por Pedro de Tróia e Diogo Almeida, gerando o equilíbrio perfeito do assombro de ideias, coração e visão, ao sentido prático, motor de arranque e pés assentes no chão. Dando continuidade ao rebentamento literário-musical que emergiu em 2098, concentramos esforços para provocar ondas maiores, dedicando-nos à difusão do bom nome de todos os artistas que representamos e dos quais gerimos a carreira: promovendo e cuidando dos seus negócios; gerando obras fonográficas que se tornem intemporais na memória e no espaço; e desempenhando as funções que envolvem o agenciamento dos espectáculos ao vivo. A produção de retratos, videoclipes e demais matérias promocionais são intrínsecas e complementares.

O mundo está de pernas para o ar e, muitas vezes, quem cria, atrai e exprime a sua arte em cima do palco, é precisamente quem menos ou nada recebe financeiramente: os artistas. Veemente contra essa posição, trabalhamos por um pequeno mundo melhor, pretendendo a sustentabilidade dos artistas e declarando fim ã utopia de que se pode viver da música a tempo inteiro. Não tenhamos dúvidas: quem define a arte é o artista e ele tem de poder existir e perdurar, sem baixar os braços. Só assim é que o legado cultural se tornará mais valioso, resultando num património melhor e num tesouro maior. Se os artistas vivem para a sua obra, então a obra não pode ter um papel secundário na vida de um artista.

Reconhecendo que os holofotes estão em Lisboa e as lamparinas polvilhadas pelo resto do país, temos como propósito a procura de novos valores culturais para as fileiras da música portuguesa, desenvolvendo-os a fim de potenciar as suas criações artísticas, defendendo as suas opções e preservando as identidades, com metas a longo prazo. Não somos uma família mas anunciamos um movimento cultural em plena marcha, aliado à pretensão de criar novas linguagens, uma linha estética englobante e um selo carimbado sem misericórdia. Recusamos o consenso. Aqui não há fronteiras para a liberdade artística e o descaramento está implícito. Plantamos a primazia do pensamento para elevar a claridade, porque a criação é libertária e a parte dominante uma figura abstracta que reside apenas na nossa imaginação. Tenhamos a audácia de reconhecer que vivemos num país encantador. Portugal está a aprender e depende de quem cá está. Não podemos desistir de ser, por tudo aquilo a que a vida nos obriga. Valorizemo-nos. Há muito caminho a percorrer e percorrê-lo-emos a passo firme e lento, enquanto hasteamos a nossa cultura, procurando mais e participando activamente na educação musical e literária daqueles que nos rodeiam. A memória não pode mais ser curta e o que se faz por cá tem de ser firmado na terra. Não há vergonha em sonhar. Não tememos o ridículo nem a ambição. Existimos com brio, honestidade e distinção, entre o perigo da vertigem e os passos firmes da virtude. Essa mesma grande virtude que está no saber pular a cerca. Procuremos contornar os pesadelos, a fim de tocar no horizonte lá no fundo porque, se são muitos os dilemas sobre os quais nos deparamos, também há rios lindos para atravessar.

AZUL DE TRÓIA
Companhia Discográfica Portuguesa


© 2016 Azul de Tróia. Todos os direitos reservados

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